Dignoestranho


Sem que saibas…
março 28, 2012, 11:54 pm
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Na noite passada sonhei contigo.

Sonhei que te via deitado, com o sol no rosto, com o vento batendo na tua pele.

O lençol branco estendido sobre teu corpo que o desenhava.

Eu nunca pedi por esse sonho.

E ele veio.

Durmo contigo na cabeceira da minha cama, sem que saibas.

Passo o dia com tuas palavras na pasta, sem que saibas.

Imagino os dias ao teu lado, sem que saibas.

E quando fecho os olhos posso te sentir me abraçando…

Ouço inúmeras vezes tuas canções, sem que saibas.

Tu tens tomado todos os meus pensamentos, e só quero que saibas.

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Que seja então…
março 24, 2012, 10:21 pm
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Já cansado de não saber o que sente…

Já desiludido pelo que se dizia ser amor em seu coração…

E após ter deixado quase que todos os seus sonhos de lado foi tentar se resolver.

Ele tinha segredos que se evidenciaram em seus olhos.

Ele conseguiu um gole de coragem e ainda se engasgou.

Abriu as asas.

Sem medo deu um rasante nas mentes cheias de ignorância, nos corpos cheios de uma bebida suja…

E banhou-se num mar de palavras dolorosas, de olhares massacrantes, de conceitos sem fundamentos.

Saiu limpo e puro.

Já lhe disseram várias vezes que iria ficar tudo bem, que no fim tudo se ajeitaria…

Porém juntando todas as vezes que ouviu essas mensagens positivas não daria metade do otimismo que o seu coração sempre trouxe consigo.

Quando lhe davam oportunidades de dizer o que seu coração sentia, ele temia.

Temia a realidade. Temia as memórias que havia criado para o futuro que se aproximava.

E ainda que com medo, ainda que não acreditasse na realidade, ele se apaixonou.

Por letras que sobressaltavam a pele.

Pelo som, pelo que leu, pelo que sentiu no calor.

Ele se contradisse.

Ele mergulhou para sair banhado pelo caos que é o amor.

Ou ao menos as dores que consigo traz.

Que ele sinta. Que volte a içar grandes voos.

Que ele possa sentir, e sentir o sabor mesmo que amargo, dessa fase.

Fase que ficará marcada nas paredes de seu coração.



Para a vida toda.
março 7, 2012, 9:06 pm
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Ele não perguntou no jardim de infância.

Ele não perguntou no primário.

Ele não perguntou no ensino fundamental.

Ele não perguntou no ensino médio.

Ele não perguntou na faculdade…

E eu esperei ele perguntar como foi o primeiro dia de aula…

Eu esperei.

A única coisa que ouvi foi uma reclamação da roupa que eu usava e dos horários que ocuparão meu dia.

E ele ainda diz que quer ser meu amigo.

E a vida insiste que ele deve ser meu herói.

Eu queria saber ao menos um sonho dele… Ele não tem.

É um homem vazio.

É um homem fechado.

Procuro entender quais os momentos de alegria, de  paz… E não consigo.

Não consigo entender.

Hoje a lua ilumina todo o meu quarto, mesmo com as luzes apagadas, é a primeira  vez que isso acontece.

Hoje foi o primeiro dia de uma longa jornada, e o que eu tive?

O velho sentimento.

A velha sensação.

O gosto amargo que vou levar para a vida toda.



Sotaque
fevereiro 24, 2012, 1:42 pm
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De tempos em tempos  sinto falta de estar vivo.

De me sentir feliz com o céu laranja refletindo em meu rosto.

Tento ficar em silêncio  para ouvir o vento soprando.

Eu tento te buscar dentro de mim… Mesmo que nunca tenhas estado ali.

Tenho como verdade tua feição.

Tenho como testemunho meu coração, e as vezes em que o céu se fez laranja nas últimas madrugadas.

Agora tenho sobrevivido com esperanças.

Tenho tido motivos para descrever essas coisas indefinidas que se abrigam em minha alma.

Não te tenho em forma de canção, tens estado em pensamento.

Pode até ser que eu esteja atirando todo o meu ser de um precipício…

Mas sou um amante do mar…

E ele me livraria das rochas que abaixo insistem permanecer.

Que seja verdade.

E se queres saber… Depois de me sentir assim…

Buscaria teu sotaque em cada pedacinho desse mundo.



Pés no chão, coração na mão e sonhos ao vento.
janeiro 10, 2012, 1:35 am
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Sabe o que eu quero?

Quero poder andar com o fone no ouvido.

Quero poder sentir o frio com casacos que destoam um do outro.

Quero sentar no banco da praça com folhas de tons terrosos nos pés, um café nas mãos.

Quero não precisar me preocupar com meu cabelo… Um dia ele vai me deixar.

Quero voltar pra casa e saber que minha janela ainda está aberta, sem ao menos me preocupar com ela.

Quero voltar para acender a luz da sala quando estiver sozinho e me sentir inseguro.

Quero os pés no chão, vestir cueca e regata nas noites de verão.

Quero deixar as botas na entrada.

Quero jeans justo e pés na terra… O banjo tocando calmo.

Quero que o amor se ajeite sozinho… Cansei dessa vida.

Quero o colchão no chão, amigos na sala, pizza na geladeira pro café da manhã.

Quero a ducha morna antes do dia de trabalho. A ducha quente antes de deitar.

Quero minha casa.

Meu canto.

Minha vida.

Meus sorrisos.

Minhas canções.

Quero minha virilidade pra poder persistir.



Do canto na janela
janeiro 8, 2012, 10:42 pm
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A pilha de livros que fica sobre a mesa só está crescendo.

Minhas palavras já não ligam mais pras condições do tempo.

A janela não me mostra mais a mesma paisagem, o mesmo perfil da palavra ‘amor’…

Ela traz sempre um novo pássaro, com um novo canto…

Se chove, se estiar, eu ainda quero dizer que te espero…

  Se faz sol mesmo na madrugada as palavras estarão sempre ali.

O canto sincero que a natureza me dedica… Me inspira.

Eu espero com uma xícara de café, sentado na frente do sofá, e a janela sempre aberta.

Talvez no próximo canto ele não te traga junto.

Talvez da próxima vez ele te leve de mim.

As palavras ainda estarão, quanto a ti não sei.

Sabes que a porta com o número ’17’ sempre estará destrancada pra ti…

Mas ainda prefiro que venhas pela janela.

Eu quando eu não consigo lhe dar com a tua falta eu choro sim.

E eu ainda quero te dizer… Continuo a te esperar.



Sem um horizonte.
dezembro 28, 2011, 4:05 pm
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E então sinto mais um fim de horizonte.

Sinto as ondas deixando de existir… O vento cessou… E só uma marola dar vida a água.

Estibordo… Criou limo.

Os marujos decidiram viver, decidiram ancorar em diferentes lugares em meio ao meu trajeto.

Hoje na tripulação… Eu e eu mesmo.

Um capitão sobre o caralho avistando o sol se pôr mais uma noite… E torcendo pra que a noite passe tão rápido quanto sua tripulação decidiu lhe abandonar.

Confesso que foi uma viagem diferente, uma longa viagem.

Aprendi que na costa sul, com o mar gelado cardumes vão desovar, e com isso o povoado festeja, já que os próximos meses serão meses fartos em suas mesas.

Aprendi que uma donzela deve ir estudar fora. Ela pode se apaixonar por um pirata qualquer e deixar seu trono.

Aprendi que nenhuma caixa pode aguentar ventos de 130 km.

Aprendi que meu convés pode ficar muito molhado, muito sujo… Mas nada que um dia de sol não resolva.

Perdi o número de quantas ilhas visitei.

De quantos canecos de rum eu bebi.

De quantas mulheres abandonei.

Me pergunte se tenho orgulho disso…

A única coisa que tenho certeza é que agora estou ancorado no  único lugar que preciso…

Em mim.

Dê uma olhada no atlântico.