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Eu as vezes me pego assim.
Me deparo com essa dor.
Sei que já senti ela outras vezes… E uma hora ela se vai…
Como uma hora ela volta.
Essa vontade de não mais pertencer.
Eu canso de ser, de fazer, de tentar fazer, de não fazer, eu canso.
Eu quero sentir e poder sentir.
Sou artista.
Sempre fui.
O meu melhor tiro da dor.
Tira dessa falta de vontade…
Tiro das coisas que sempre vão se passar pela minha cabeça…
Tiro das insônias, dos textos, das letras que canto e que completam os livros.
Cansei de achar que escrevo.
Cansei de tentar ser bom em algumas coisas.
Cansei… E me falta vontade pra tentar acreditar que sou bom.
Eu não sei quanto tempo vou durar por aqui.
Eu não sei quanto tempo isso tudo… Nuvens, amigos, sorrisos, canções, palavras vão poder validar toda dor que se cria em mim pelo que sou. E pelo que eu não posso ser.
Acham que a dor maior é deles… Coitados.
Eles são quem são… Nem isso posso.
Eu não vou poder ter meus próprios olhos claros…
Escolher o nome, deixar que o toque me faça derramar lágrimas de alegria…
Mas sou artista.
E a vida, a poesia… Aqueles dias quem sempre se seguem de dias… Esses sim me ensinaram de verdade.
Eu já quero sim desistir… Sempre quero.
Sempre vou querer…
Sempre me falta… Vontade.
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Como eu te vejo agora?
Um foco no centro do palco que te ilumina de cima.
Em meio a uma canção melancólica tu sentes tua paixão.
Tu faz o que amas.
Sentes o que está dentro de ti.
O personagem interiorizado, aquele que só tu podes interpretar.
Tu danças com dor.
Tu me olha com paixão.
Sou único na platéia, dessa vez.
Toda tua força agora em pequenos gestos…
Movimentos precisos.
Num misto de ser, estar e viver tu mudas o olhar… Ainda que apaixonado.
Tu cais no chão por não poder mostrar mais que aquilo.
Tu cansas por respirar ofegante de dor.
Sentes a falta do tempo.
Sentes a falta do que só tu poderia te dar.
E antes que a cortina pudesse se fechar…
Soltasses uma lágrima, seguida de um leve sorriso.
A base… Não perdesses.
Mas deixa que o âmago do teu ser… Seja.
Só tu podes fazer com que eu, o único dali…
Possa te aplaudir.
E não te preocupes com agradecimentos…
Foi o melhor dos espetáculos.
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Na noite passada sonhei contigo.
Sonhei que te via deitado, com o sol no rosto, com o vento batendo na tua pele.
O lençol branco estendido sobre teu corpo que o desenhava.
Eu nunca pedi por esse sonho.
E ele veio.
Durmo contigo na cabeceira da minha cama, sem que saibas.
Passo o dia com tuas palavras na pasta, sem que saibas.
Imagino os dias ao teu lado, sem que saibas.
E quando fecho os olhos posso te sentir me abraçando…
Ouço inúmeras vezes tuas canções, sem que saibas.
Tu tens tomado todos os meus pensamentos, e só quero que saibas.
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Já cansado de não saber o que sente…
Já desiludido pelo que se dizia ser amor em seu coração…
E após ter deixado quase que todos os seus sonhos de lado foi tentar se resolver.
Ele tinha segredos que se evidenciaram em seus olhos.
Ele conseguiu um gole de coragem e ainda se engasgou.
Abriu as asas.
Sem medo deu um rasante nas mentes cheias de ignorância, nos corpos cheios de uma bebida suja…
E banhou-se num mar de palavras dolorosas, de olhares massacrantes, de conceitos sem fundamentos.
Saiu limpo e puro.
Já lhe disseram várias vezes que iria ficar tudo bem, que no fim tudo se ajeitaria…
Porém juntando todas as vezes que ouviu essas mensagens positivas não daria metade do otimismo que o seu coração sempre trouxe consigo.
Quando lhe davam oportunidades de dizer o que seu coração sentia, ele temia.
Temia a realidade. Temia as memórias que havia criado para o futuro que se aproximava.
E ainda que com medo, ainda que não acreditasse na realidade, ele se apaixonou.
Por letras que sobressaltavam a pele.
Pelo som, pelo que leu, pelo que sentiu no calor.
Ele se contradisse.
Ele mergulhou para sair banhado pelo caos que é o amor.
Ou ao menos as dores que consigo traz.
Que ele sinta. Que volte a içar grandes voos.
Que ele possa sentir, e sentir o sabor mesmo que amargo, dessa fase.
Fase que ficará marcada nas paredes de seu coração.
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Ele não perguntou no jardim de infância.
Ele não perguntou no primário.
Ele não perguntou no ensino fundamental.
Ele não perguntou no ensino médio.
Ele não perguntou na faculdade…
E eu esperei ele perguntar como foi o primeiro dia de aula…
Eu esperei.
A única coisa que ouvi foi uma reclamação da roupa que eu usava e dos horários que ocuparão meu dia.
E ele ainda diz que quer ser meu amigo.
E a vida insiste que ele deve ser meu herói.
Eu queria saber ao menos um sonho dele… Ele não tem.
É um homem vazio.
É um homem fechado.
Procuro entender quais os momentos de alegria, de paz… E não consigo.
Não consigo entender.
Hoje a lua ilumina todo o meu quarto, mesmo com as luzes apagadas, é a primeira vez que isso acontece.
Hoje foi o primeiro dia de uma longa jornada, e o que eu tive?
O velho sentimento.
A velha sensação.
O gosto amargo que vou levar para a vida toda.
De tempos em tempos sinto falta de estar vivo.
De me sentir feliz com o céu laranja refletindo em meu rosto.
Tento ficar em silêncio para ouvir o vento soprando.
Eu tento te buscar dentro de mim… Mesmo que nunca tenhas estado ali.
Tenho como verdade tua feição.
Tenho como testemunho meu coração, e as vezes em que o céu se fez laranja nas últimas madrugadas.
Agora tenho sobrevivido com esperanças.
Tenho tido motivos para descrever essas coisas indefinidas que se abrigam em minha alma.
Não te tenho em forma de canção, tens estado em pensamento.
Pode até ser que eu esteja atirando todo o meu ser de um precipício…
Mas sou um amante do mar…
E ele me livraria das rochas que abaixo insistem permanecer.
Que seja verdade.
E se queres saber… Depois de me sentir assim…
Buscaria teu sotaque em cada pedacinho desse mundo.
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Sabe o que eu quero?
Quero poder andar com o fone no ouvido.
Quero poder sentir o frio com casacos que destoam um do outro.
Quero sentar no banco da praça com folhas de tons terrosos nos pés, um café nas mãos.
Quero não precisar me preocupar com meu cabelo… Um dia ele vai me deixar.
Quero voltar pra casa e saber que minha janela ainda está aberta, sem ao menos me preocupar com ela.
Quero voltar para acender a luz da sala quando estiver sozinho e me sentir inseguro.
Quero os pés no chão, vestir cueca e regata nas noites de verão.
Quero deixar as botas na entrada.
Quero jeans justo e pés na terra… O banjo tocando calmo.
Quero que o amor se ajeite sozinho… Cansei dessa vida.
Quero o colchão no chão, amigos na sala, pizza na geladeira pro café da manhã.
Quero a ducha morna antes do dia de trabalho. A ducha quente antes de deitar.
Quero minha casa.
Meu canto.
Minha vida.
Meus sorrisos.
Minhas canções.
Quero minha virilidade pra poder persistir.